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quinta-feira, maio 21, 2009

MARIA BRITES NUNES


A pergunta fundamental, num blogue como o meu, será:
- Quem é Maria Brites Nunes?
A resposta mais natural e lógica que posso dar:
- É a minha querida cunhada, a minha melhor amiga.

A seguir:
Nasceu em Portimão a 18 de Abril de 1951, reside em Lagos, com carácter permanente desde 1984. É funcionária administrativa do Ministério da Saúde, dirigente do Sindicato da Função Pública do Sul e Açores e deputada na Assembleia Municipal de Lagos desde 2005, eleita nas listas da CDU.
Com José Alcobia e João Carlos Brandão é co-autora do livro O problema Colonial” da editora Assírio &Alvim, publicado em Junho de 1974.
Foi candidata à Câmara Municipal de Benavente nas Eleições Autárquicas de Dezembro de 1979.
Sócia fundadora da Associação de pais e Encarregados de Educação da escola Preparatória de Lagos, criada em Maio de 1989. Tesoureira da 1ª Direcção da mesma Associação no ano lectivo 1989/90. Foi eleita para os órgãos sociais da Associação de Pais e Encarregados de educação da Escola secundária Júlio Dantas nos anos lectivos de 1990/91, 1991/92 e 1992/93.
Eleita Primeira Secretária da Mesa da Assembleia de Freguesia de S. Sebastião de Lagos, de Janeiro de 1994 a Dezembro de 1997.
Membro da Assembleia de freguesia de Santa Maria do Concelho de Lagos, de Janeiro de 1998 a Dezembro de 2001.
Integra as Candidaturas da CDU à Assembleia da República pelo círculo eleitoral de faro nas Eleições Legislativas de Outubro de 1999, Março de 2002 e Fevereiro de 2005.
Integra a lista da CDU candidata à Câmara Municipal de Lagos nas Eleições Autárquicas de Dezembro de 2001.
Integra o Conselho Municipal de Segurança do Município de Lagos de Janeiro de 2000 a Outubro de 2005.

Embora fora de tempo, quero deixar aqui, com todo o orgulho, uma intervenção feita pela minha cunhada, Maria Brites Nunes, pessoa que muito admiro por todas as suas qualidades, nomeadamente e sempre em primeiro lugar, as humanas, que a diferencia da maioria dos políticos que conheço.

Por essa e todas as demais razões, é nela que vou votar, nas próximas eleições autárquicas, para Presidente da Câmara Municipal de Lagos.



INTERVENÇÃO DA CDU NA SESSÃO SOLENE
COMEMORATIVA DO 35º ANIVERSÁRIO DO 25 DE ABRIL
PROFERIDA PELA DEPUTADA MUNICIPAL MARIA BRITES NUNES


Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia Municipal
Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal
Demais Autarcas
Ex.mo representante da Associação 25 de Abril, Senhor Coronel Glória Dias
Eleitos da Assembleia da Juventude
Minhas senhoras e meus senhores

O 25 de Abril completa hoje 35 anos. É um adulto ainda jovem e pujante e ter chegado a esta idade enche-nos de alegria.
Se do ponto de vista da História 35 anos constituem um tempo curto, para nós, para todos os que lutaram por Abril, para todos os que o construíram, para todos os que ao longo destes anos defendem palmo a palmo as suas conquistas, estes são longos anos que constituem um denso, rico e inesquecível património construído no dia a dia de sonhos, de luta, de acção criadora e transformadora, de resistência.
No entanto as altas expectativas que tivemos há 35 anos estão defraudadas. Do país mais igualitário, mais solidário, mais participativo por que lutávamos chegámos ao desalento e desilusão de hoje.
Temos hoje, é verdade, mais e melhor saúde, educação, temos mais acesso à habitação, mas vivemos no quadro de um brutal agravamento das condições de vida da população e de contínua degradação da situação económica.
Esta situação é o resultado dos ataques sistemáticos às conquistas e realizações da Revolução de Abril, às tentativas de desmantelamento das funções sociais do Estado, ao empobrecimento da democracia e a crescentes desigualdades na distribuição do rendimento nacional.
Bem pode agora vir o Partido Socialista deitar as culpas para cima da crise internacional. A verdade é que a crise do capitalismo apenas veio evidenciar a fragilidade económica e a degradação social provocada por anos a fio de alternância entre PS e PSD, com ou sem CDS, sempre no mesmo rumo de injustiça e declínio nacional.
É necessária uma ruptura e inversão real das políticas económicas, assente na propriedade social dos sectores básicos e estratégicos, na valorização do trabalho e dos trabalhadores, com a melhoria dos salários e das condições de vida como factor essencial de dinamização da economia.

ASSIM,
Comemorar Abril é dar vida e sentido aos valores e conquistas da Revolução é abrir um caminho de esperança num país mais justo, moderno e soberano.

Comemorar Abril é um momento e uma oportunidade de dizer não à política de direita e condenar a acção do actual governo.

E é também um momento para exigir uma mudança que coloque no centro da intervenção política
- a elevação das condições de vida
- o emprego com direitos
- o aumento dos salários e pensões
- o reforço das prestações sociais e dos serviços públicos
- a defesa da produção e soberania nacionais
- um outro papel do estado na economia, nomeadamente nos sectores estratégicos, colocando-os ao serviço do povo e do país.

Estes são os caminhos que urge abrir com a força e a luta dos trabalhadores e do povo, para com Abril de novo retomarmos a esperança de um Portugal de progresso e de futuro.
Nunca como hoje foi tão importante e decisivo, como dizia o poeta, fazer florir ABRIL de NOVO!

A terminar, não pudemos deixar de referir hoje a surpresa com que constatámos que pela primeira vez em 35 anos a noite de 24 Abril não foi de encontro para centenas de lacobrigenses que se habituaram a cantar a Grândola em coro na entrada do dia que nos devolveu a dignidade … a liberdade … a vida.
A crise não pode, não deve impedir essa comemoração, que podendo ser mais modesta seria a nossa festa.
Porque o 25 de Abril chegou em chaimites velhas e auto metralhadoras amolgadas, na mão trazia um modesto cravo e mesmo assim não deixou de ser o “ primeiro dia do resto das nossas vidas”.

Viva o 25 de Abril!!!!



1 comentário:

Anónimo disse...

A Globalização, tal como foi concebida, passará o ocidente para segundo plano, que será ultrapassado pelos países do extremo oriente: a China e a Índia serão as novas superpotências. O Ocidente caiu na armadilha que interessava às grandes Companhias que pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no oriente, onde o custo da mão de obra é insignificante para o estabelecimento do preço dos bens aí produzidos, em virtude dos baixos salários e da inexistência de quaisquer obrigações sociais. Porque esses bens se destinavam principalmente à exportação para o ocidente; e como o ocidente tem vindo a perder poder de compra, a crise ocidental acaba por tocar também as novas potências orientais. Porém, a crise é aí apenas um menor crescimento económico: há poucos anos era de dois dígitos ao ano e agora deverá ficar-se por 6 ou 7% e isso é muito diferente da recessão ocidental que não tem fim à vista.
Ao aderirem a esta globalização que - nos dizem - seria inevitável (como se o mundo não existisse antes), os países ocidentais prometeram que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas (não sei bem como?) e não condicionaram a abertura dos seus mercados ao cumprimento de regras ambientais e à criação de leis laborais justas: melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice. Não, o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação sem condições, criando com isso uma concorrência desleal e “selvagem” da qual sairá a perder. A única alternativa seria a de nivelar os salários e regalias sociais dos ocidentais pelos do oriente. É a esse reajustamento que os ocidentais assistem agora.
O ocidente ditou a sua própria “sentença de morte”: enquanto algumas empresas não resistem e fecham as portas para sempre, outras deslocam-se para o extremo oriente para assegurar aí a sua sobrevivência.
Quanto aos trabalhadores, será que depois de terem atingido um razoável nível económico e social vão aceitar trabalhar 10 ou mais horas por dia a troco de um ou dois quilos de arroz por dia, sem direito a descanso semanal, sem férias, sem reforma na velhice, etc...? Não! por isso o ocidente está já a iniciar um penoso caminhar em direcção ao caos: a indigência e o crime mais ou menos violentos irão crescer e atingir níveis inimagináveis apenas vistos em filmes de ficção que nos põem à beira do fim dos tempos como consta nos escritos bíblicos. A Segurança Social não poderá suportar o esforço nem minimizar os problemas que irão crescer sempre, até porque as receitas serão cada vez mais reduzidas, devido a menores contribuições por parte das empresas pelos incentivos (inúteis) que lhes estão a ser oferecidos e também menores contribuições dos trabalhadores devido a mais desemprego. A época áurea do ocidente é já coisa do passado, que em breve se encherá de grupos de salteadores desesperados, sobrevivendo à custa do saque.
Regressaremos a nova “Idade Média”, se é que poderei chamar assim: A sociedade passará a ser formada por uns (poucos) muito ricos - alguns por via do crime - que habitarão autênticas fortalezas protegidas por todo o tipo de protecções, e que apenas sairão à rua rodeados por guarda-costas dispostos a matar ou a morrer pelo seu “senhor”; haverá, em simultâneo, uma enorme mole de gente desesperada, de mendigos e de salteadores que lutam pela sobrevivência a todo o custo e cuja protecção apenas poderá ser conseguida quando em grupos, pois as ruas serão cada vez mais dominadas por marginais, ficando as polícias confinadas aos seus espaços e reservadas para reprimir as “explosões” sociais que possam surgir
Os dois maiores partidos portugueses (PS e PSD) estão amplamente comprometidos com este tipo de políticas neo-liberais e os Governos deles saídos trocaram sectores essenciais da economia portuguesa por alguns milhões de euros (que já se gastaram) e pelo megaprojecto da Autoeuropa, cuja deslocalização já se coloca como hipótese.

Zé da Burra o Alentejano