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terça-feira, setembro 08, 2009

Ao entardecer


De mar e de amar

























Caminhava
na praia deserta de gente e de esperança
Na pele arrepiada, p'lo tarde da tarde
e p'la areia molhada
pousava o sal do sueste,
a brisa do mar

Nos olhos, desenhos da espuma e reflexos de cor
confundiam o brilho com lágrimas,
outro sal aflorava,
e o andar hesitava
em partir ou ficar

Na alma, perdida no antes, dançavam serpentes
de rios e afluentes procurando a foz
desprendendo-se em lágrimas fluentes
na concha da mão
caladas, sem voz

Chegou como quem vem do nada, quieto, sozinho,
sentou-a no chão
Puxou-a para si com carinho
E devagarinho
Bebeu de mansinho
as lágrimas da mão

Voltou o amanhecer, o calor do sol,
as ondas ao mar,
as horas correram velozes

e

de quando em vez
são os albatrozes
com o seu piar,
que fazem lembrar
a tarde das tardes
a noite das noites
o saber a|mar.


June (ao entardecer)

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