sábado, janeiro 06, 2007

Lisboa-Dakar 2007 - Ruben Faria

Ruben Faria venceu hoje, em motos, a primeira especial da 29ª edição do Rali Lisboa-Dakar.
À chegada a Portimão, o piloto algarvio, de Olhão, recebeu da organização do Autódromo do Algarve um cheque de 10.000 Euros e logo adiantou que bastante jeito lhe fazia, já que estava a construir a sua casita.
Eu estava lá e, a pensar neste meu cantinho e em todos os habitués, aproveitei para lhe tirar uma fotografia, que aqui vos deixo em primeira-mão.
Quem é amiga? Quem é?...

quinta-feira, janeiro 04, 2007

O intruso

Quem conhece Lagos, sabe que no final da Avenida dos Descobrimentos, o que resta de uma antiga fábrica “O Algarve Exportador”, é uma enorme chaminé de tijolo, habitualmente ocupada por um ninho de cegonhas.

Talvez pelo cansaço de uma longa viagem ou por apartamento se encontrar devoluto, um abrupto, perdão, um abutre, resolveu fazer do ninho o seu leito de descanso e, ao final da tarde, olhava imponente lá do alto, para a linda cidade a seus pés.

Vá-se lá saber porquê, as forças de intervenção desta cidade, não sei se por medo que a chaminé caísse com o peso do animal, ou se por ordens de quem percebe destas coisas, tentaram a todo o custo, usando todos os meios ao seu alcance (escadas Magirus, falinhas mansas ou ameaças – não sei porque não assisti à conversa) que o bicho dali saísse.

Perante o olhar estupefacto de dezenas de pessoas que assistiam ao insólito espectáculo, o abutre, extremamente incomodado por mais dois possíveis inquilinos num espaço tão diminuto, bateu asas e voou para outras, mais calmas, paragens.

Podem ver, em 2 takes, os videos um bocadinho manhosos :

  1. O abandono do lar ocupado
  2. O voo do adeus
Aqui ficam as fotos que foi possível tirar.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

FELIZ ANO NOVO

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Tudo começou há muitos anos, era eu menina.

Em cada passagem de ano, ouvia com frequência, as advertências do meu pai, que até nem era uma pessoa supersticiosa, que a alegria, o bem-estar e tudo o que se fizesse nessa noite seria o espelho do ano vindouro.

- O reveillon teria que ser num sítio animado, bem comido e bem regado.
- Queria toda a gente linda e elegante mas que ninguém da família se vestisse de preto.
- Onde quer que estivéssemos, à meia-noite, subíamos para qualquer sítio alto, normalmente uma
cadeira, com dinheiro grado na mão.
- As 12 passas de uva tinham que ser comidas antes que finalizassem as badaladas da meia-noite.
- Tínhamos que usar uma qualquer peça de roupa nova para a noite de 31 e uma outra para estrear no dia 1 de Janeiro.

Todos, na família, cumpriamos estas regras escrupulosamente e achávamos muita piada.

Os anos foram passando e uma parte desses hábitos do tempo do meu pai foi-se desvanecendo. Os últimos três anos, por exemplo, têm sido passados em casa. Corre tudo muito bem mas falta aquela euforia contagiante própria dos sítios com muita gente em que todos se animam mutuamente. É claro que não me visto como se fosse para um reveillon, nem tenho o cuidado de comprar roupas novas para usar.

Aproxima-se o final do ano.
Estranhamente, e também não sendo supersticiosa, tenho verificado que a forma como tenho passado o final de cada um destes últimos anos tem vindo, de certa maneira, a reflectir a minha vida em cada ano que começa.

Lembro-me muito do meu pai, dos meus pais, e sinto muito a falta deles, destas pequenas coisas de família que nos faziam felizes e que, lamentavelmente, já não podem voltar.

Feliz Ano Novo para todos vocês.

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